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Memórias do Dial: O caso Oliveira Filho - O Dia Em Que a “Patrulha da Cidade” Entrou Para o Noticiário Policial
28/05/2021 20:56 em Novidades

Há mais 60 anos no ar – o que lhe confere o status de programa mais longevo da história do rádio brasileiro – a Patrulha da Cidade sempre se destacou por levar aos ouvintes um noticiário policial diferente, fazendo uso de uma linguagem popular e bem humorada. Porém, no início da década de 1970, foi sua vez de ganhar espaço entre as colunas e notas criminais.

Tudo começou na madrugada do dia 08 de junho de 1972. Édson Oliveira Filho – ou simplesmente Oliveira Filho, como costumava ser chamado por colegas, ouvintes e fãs – era então um dos apresentadores da Patrulha da Cidade. Sua carreira ganhara impulso uma década antes, quando passou por diferentes emissoras, marcadamente pela Rádio Guanabara. Não obstante, o auge de sua popularidade veio com o programa policial da Super Rádio Tupi, onde se destacou como um dos precursores da introdução de gírias policiais no rádio.

Homem das madrugadas, Oliveira Filho ganhara cartaz na boemia carioca entre artistas, produtores e público por conta de seu trabalho como Disc Jockey na Boate Plaza, à frente do conceituado Clube do Disco (que só mudou de endereço no início da década de 1970, quando migrou para outra badalada boate da época , a Y-panema). E foi a Boate Plaza o local onde se precipitaram os acontecimentos que marcariam o resto de sua vida.

Naquela madrugada, momentos depois de deixar a Boate Plaza, Oliveira Filho foi encontrado dentro de um taxi que se chocara contra um muro na Rua São Clemente, em Botafogo, num aparente estado de coma alcoólico. No banco da frente, o motorista Patrício José da Silva, baleado na nuca. Aos pés do comunicador, jogada sobre assoalho do carro, a arma do crime. Testemunhas do acidente disseram à polícia que o motorista chegou a balbuciar que “foi um assalto”, antes de desfalecer por completo. Já Oliveira Filho foi preso e a arma do crime, recolhida. Patrício da Silva – que já havia labutado como motorista do cantor Ataulfo Alves – faleceu na madrugada seguinte (complicando ainda mais a situação de Oliveira Filho) e seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Ao longo de todo o processo que se seguiu, Oliveira Filho sustentou a versão de que não se lembrava do que havia acontecido no espaço de tempo entre a saída da boate e a retomada de sua consciência horas depois, já nas dependências da então 10ª DP. Dizia ser vítima de uma cilada arquitetada por um bandido, sobre o qual havia feito comentários contundentes em seu programa e que, por isso, passou a ameaçá-lo constantemente, assim como sua esposa Iolanda e também seu filho, Edson Júnior. Oliveira Filho ressaltava que, ao longo de sua carreira, defendera por inúmeras vezes os motoristas de taxi, principalmente aqueles que rodavam nas madrugadas, então “como poderia ele cometer um crime daquela natureza?”.

Daquilo que se lembrava, alegava ter sentido um estranho torpor após ingerir uma dose de uísque que lhe fora servida por certo Sr. Uchoa no interior da Boate Plaza. Contudo, tanto o responsável pelo estabelecimento quanto seus funcionários afirmaram desconhecer o tal Uchoa, mas confirmaram que naquela noite Oliveira Filho estava ladeado por um número considerável de amigos. Contra o comunicador, pesava o fato de já ter respondido anos antes por porte ilegal de arma de fogo – crime que, em 1972, já havia prescrevido.  A seu favor, profissionais do meio e colegas de emissora como Sérgio Bittencourt, Othon Russo, Paulo Lopes, Oziel Peçanha e Francisco Carioca, dispostos a defendê-lo em seus testemunhos.

Cerca de quatro anos se passaram entre o assassinato do motorista Patrício da Silva e o julgamento de Oliveira Filho – período no qual recebeu diversas cartas de ouvintes e fãs da Patrulha, em geral solidários à sua versão dos fatos. No primeiro julgamento, Oliveira Filho foi condenado a 10 anos de detenção por Latrocínio, mas seus advogados conseguiram a desclassificação do delito, passando então a ser Homicídio. Houve então um segundo julgamento em fevereiro de 1976, ocasião na qual sua pena foi ampliada para 13 anos. Mais uma vez seus advogados conseguiram a anulação da sentença e Oliveira Filho enfrentou um terceiro julgamento, adiado por diferentes motivos entre abril e junho de 1977, quando então o comunicador já completava cinco anos de detenção. Porém, na manhã de 17 de junho de 1977, após uma longa sessão que varou a madrugada, foi dado o veredicto favorável à manutenção de sua condenação anterior: 13 anos de reclusão.

O tempo passou e anos depois, já em liberdade, Oliveira Filho retornava de um show na boate New Scott quando foi acometido por um infarto, levando-o a falecer na madrugada do dia 26 de outubro de 1982, aos 52 anos de idade. Perante a Justiça, ele foi considerado culpado – e cumpriu a pena que lhe foi imputada, conforme estabelecido em Lei. Todavia, se era de fato culpado ou tão somente vítima de uma trama muito bem articulada, é algo que provavelmente nunca iremos saber.

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