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Irmão Sol, Irmã Lua: A Vida de São Francisco de Assis Segundo Franco Zeffirelli
25/10/2020 18:16 em Novidades

Por Paulo Telles

 

A vida de Giovanni Francesco Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis (1182-1226) já atravessou por várias adaptações para o cinema, sendo que as mais famosas são: Francisco, Arauto de Deus (1950) de Roberto Rossellini (eleito pelo Vaticano como um dos melhores filmes de acordo com a Santa Sé numa lista de 1995); São Francisco de Assis (1961) de Michael Curtiz, com Bradford Dillman como o personagem título; e Mickey Rourke viveu o santo de Assis em Francesco (1989), obra respeitadíssima da cineasta italiana Liliana Cavani. Padroeiro dos poetas, dos animais, do meio ambiente, dos doentes e pobres, sua festa litúrgica na Igreja Católica é celebrada todos os anos a 4 de outubro.

Em Irmão Sol, Irmã Lua (Brother Sun, Sister Moon/Fratello Sole, Sorella Luna), realizado na Itália em 1972, São Francisco de Assis é retratado pelo cineasta de Romeu e Julieta (1968), Franco Zeffirelli (1923-2019), tratando os ideais franciscanos ao movimento da cultura hippie dos anos de 1960/70, com formato de musical. Talvez por este motivo o filme seja um dos mais populares e cultuados de todos os tempos. O escolhido para viver o personagem foi o estreante inglês Graham Faulkner, de 25 anos. Faulkner angariou poucos trabalhos em doze anos de carreira (foi mais atuante na TV) e largou a vida artística em 1984. Também foi a estreia da inglesa Judi Bowker, no papel de Clara de Assis. O elenco é fantástico, em grande parte constituída de artistas europeus, como Adolfo Celi (1922-1986) no papel do cônsul; Lee Montague e Valentina Cortese (1923-2019) como os pais de Francisco; e a maior presença do cast – Sir Alec Guinness (1914-2000) como o Papa Inocêncio III, que ajudou o Homem de Assis a fundar a Ordem Franciscana. Aliás, a trama concentra-se justamente na luta de Francisco na instalação de sua congregação.

Na Itália do Século 13, após combater na guerra contra Peruglia, o jovem Francisco, adoentado, convalesce em Assis. Seu pai planeja para ele participação nos negócios familiares e casamento com a jovem Clara de Assis. Atraído pelas belezas da natureza (o sol, a lua, as árvores, os animais) e revoltado com as misérias dos empregados de seu pai, Francisco abandona todo o luxo e requinte de sua posição para reconstruir a igreja de San Damiano com um grupo de amigos, entre os quais a própria Clara, que mais tarde se tornará a fundadora da Ordem das Clarissas, um ramo feminino dos franciscanos. Francisco escandaliza o Vaticano ao rebelar-se contra a opulência dos palácios e pregar os princípios da pobreza conforme Evangelho de São Mateus, sendo expulso pela guarda suíça. O Papa Inocêncio reconhecendo as razões de Francisco, resolve recebe-lo na Basílica de São Pedro e abençoa seu trabalho de caridade para com os pobres, formando assim a Ordem Franciscana.

Em seus 135 minutos de projeção original (a versão americana para a TV tem 120), Zeffirelli foca os ideais de amor e paz de São Francisco de Assis, e o filme fez muito sucesso em grande parte do mundo, inclusive no Brasil, chegando as nossas salas de exibição em 1973 com grandes aplausos da crítica e público. Canções de Donovan (na versão internacional) e Riz Ortolani (1926–2014, na versão italiana) sublinharam o espetáculo rodado em locações em Assis, San Gigminano e Monreale.

 

Para os leitores e ouvintes da Rádio Vintage:

Pax et Bonum!

Esta resenha é dedicada aos poetas Nery Telles Pereira (meu pai In Memorian) e Sérgio Cortêz (fundador da Web Rádio Vintage), e a querida Flávia de Lacerda Telles, (co-produtora do CINE VINTAGE), que ama o meio ambiente e os animais, devota de São Francisco de Assis.

Paulo Telles é produtor e apresentador do programa Cine Vintage, além de editor do blog Filmes Antigos Club - A Nostalgia do Cinema.

 

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/

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