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Debra Paget: o Amor de Elvis Dentro e Fora das Telas
05/07/2020 20:01 em Novidades

Por Paulo Telles

 

Elvis Presley (1935-1977) estreou no cinema em 1956, e seu primeiro registro cinematográfico foi no western Ama-me Com Ternura (Love-me Tender, 1956), do diretor Robert D. Webb (1903-1990). Para poder chegar a Hollywood e ao estrelato, o cantor já aclamado como Rei do Rock & Roll precisou submeter-se a vários testes de câmera. Em sua introdução nas telas, Presley interpretou o ingênuo sulista Clint Reno, que entra em conflito com o irmão mais velho, Vance, por causa da jovem Kathy. Esta por acreditar que Vance havia morrido na Guerra Civil Americana (1861-1865), desposa Clint e a partir daí a trama está formada, culminando em intrigas e no final trágico do personagem de Elvis em Ama-me com Ternura. O efeito emocionou o público na época do lançamento, pois foi impactante (sobretudo para as fãs) ver o ídolo do Rock morto, cantando ao fim In Spiritus o tema que leva ao título original da fita. No entanto, Kathy também chama atenção por ter sido um rosto conhecido por muitos espectadores e cinéfilos, sendo uma das estrelas mais famosas e belas no cinema norte-americano ao longo da década de 1950: Debra Paget.

Debralee Griffin, seu verdadeiro nome, nasceu a 19 de agosto de 1933, em Denver, Colorado. Sua família mudou-se para Los Angeles quando ela era criança. Sua mãe era uma ex-atriz que incentivou todos os seus filhos a entrar no show business. Duas irmãs de Debra seguiram carreira em Hollywood, as também atrizes Teala Loring (1922-2007) e Lisa Gaye (1935- 2016). Aos quinze anos, Paget estreou no cinema em Uma Vida Marcada (Cry Of The City, 1948), de Robert Siodmak (1900-1973), contracenando com o lendário galã Victor Mature (1913-1999).

Mas a real chance de Debra veio mesmo em 1950 quando atuou como uma pele vermelha em Flechas de Fogo (Broken Arrow, 1950), um dos primeiros faroestes a expressar luta de causa ao povo indígena americano, dirigido por Delmer Daves (1904-1977) e estrelado por James Stewart (1908-1997) e Jeff Chandler (1918-1961) como o líder apache Cochise. A atuação de Debra impulsionou-a a assinar um contrato com a 20th Century Fox para os sete anos seguintes. Durante este período ela fez papéis variados - heroínas indômitas, mulheres sofredoras, índias, princesas, e mulheres sedutoras. Ao assistir seu desempenho em A Princesa do Nilo (Princes of The Nile, 1954), o cineasta Cecil B. DeMille (1881-1959) a integrou no elenco de sua última obra prima, Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1956) pela Paramount. Emprestada pela Fox ao estúdio das estrelas, Debra interpretou Lilia, a amada do guerreiro e líder bíblico Josué, vivido pelo galã John Derek (1924-1998).

Na Fox, Paget era a segunda estrela a receber mais cartas de fãs, perdendo apenas para outra contratada do estúdio, Marilyn Monroe. Debra fez parceria romântica com outros astros famosos da Velha Hollywood, como Cornel Wilde, Ray Milland, Robert Wagner, Anthony Quinn, Stewart Granger, Jeffrey Hunter e Dale Robertson. Mas foi com Elvis Presley uma das mais indeléveis lembranças que o público tem para com a atriz: “Ele era uma pessoa doce, muito simples” – recordaria anos depois Debra sobre Elvis. “Gostava de montar em sua motocicleta e sair pela noite. Nunca disse isso a ninguém, mas Elvis me pediu para casar com ele depois das filmagens (de Ama-me com Ternura). Mas minha família não gostou da ideia”.

Dois anos mais velha que Elvis, Debra dedicava-se à carreira artística. Sua mãe, que estava frequentemente no estúdio durante as filmagens tinha grandes planos para a filha, mas nenhum deles incluía o cantor. Elvis seguiria sua carreira artística tanto no cinema quanto na musica, casando com Priscila Presley em 1967, nascendo da união Lisa Marie, única filha do astro Pop do Rock que morreu a 16 de agosto de 1977.  Em 1963, Debra, que havia sido casada com o renomado diretor de faroestes Budd Boetticher (1916-2001), largou o cinema para se casar com um multimilionário japonês, de quem se divorciou em 1980, passando a viver em Houston, no Texas, rica e fora dos holofotes. O último trabalho da atriz no cinema foi em O Castelo Assombrado (The Haunted Palace, 1963), de Roger Corman, com Vincent Price (1911-1993) e baseado no conto de Edgar Allan Poe (1809-1849).

Debra Paget hoje tem 87 anos de idade e dedica-se a eventos religiosos no Texas. Ela se converteu na década de 1980 ao evangelismo e passou a pregar a palavra em sua igreja. Atualmente, é constantemente convidada como comentarista do canal de televisão TBN, dedicado a religião.

 

Paulo Telles é produtor e apresentador do programa Cine Vintage, além de editor do blog Filmes Antigos Club - A Nostalgia do Cinema:

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/

 

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