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Memórias do Dial: A Rádio Continental AM (PRD-8)
03/05/2020 19:23 em Musica

Vivemos um tempo em que o acesso à informação não é mais privilégio de poucos e as opções de entretenimento são fartas e variadas – como acontece na TV por assinatura, onde diferentes canais especializaram-se em determinados segmentos (como no caso dos canais voltados ao público infantil, às notícias, às ciências ou aos automóveis, por exemplo). Nesse aspecto, a antiga Rádio Continental AM do Rio de Janeiro foi pioneira ao apostar numa programação 100% esportiva – isso quando nichos específicos ainda não eram objetos de tanta cobiça por parte dos meios de comunicação.

Fundada em 1935 pelo político e empresário Rubens Berardo, a PRD-8 iniciou sua transição para o mundo esportivo em 1948, quando o icônico speaker Gagliano Neto assumiu a direção da emissora. Tendo ao seu lado “gente moça, gente capaz de apresentar novidades”, como dizia o próprio comunicador, não demorou até que a Continental AM ganhasse uma programação voltada ao esporte.

Com o slogan “Emissora Continental, 100% esportiva e informativa”, a PRD-8 foi também visionária no desenvolvimento de recursos que aprimoraram suas transmissões, como a criação do carro de reportagem externa (adotado posteriormente por diversas outras rádios), do repórter volante de microfone sem fio (para reportagens com urgência de transmissão), além do repórter de ponta (aquele que se posiciona atrás do gol). Ao término das coberturas, seus locutores anunciavam: “voltamos a falar da nossa sede – ontem, hoje e sempre a verdadeira casa do esporte”.

Na década de 1950, a Continental AM obteve igual destaque na cobertura dos bailes de Carnaval realizados no Rio de Janeiro e em outras capitais brasileiras. As inovações da rádio no segmento carnavalesco levaram-na a ser considerada pelo público como “a melhor na emissão de festas populares” e também a criar, no final da década de 1970, o Troféu Carlos Pallut – que agraciava os melhores do Carnaval Carioca.

Em 1959, após uma década de transmissões esportivas, a Rádio Continental AM voltou a ter programação musical, agradando público e crítica e ampliando os números de sua audiência média. Durante os anos em que esteve no ar, passaram por seus microfones inúmeros profissionais do Meio, como Sérgio Paiva, Saldanha Marinho, Waldir Amaral, Marli Sorel, Oduvaldo Cozzi, Teixeira Haizer, Doalcei Camargo, Edson Lima, Antenor Arôxa, Nóli Coutinho, Gilson Amado e Carlos Pallut. Entre os muitos programas levados ao ar ao longo dos anos, destaque para “O Telefone Pede Bis”, “33, 45 e 78”, “Clube do Disco”, “Sabatina Esportiva Pectal” (patrocinado pelo expectorante Pectal), “Chutes e Pelotadas”, “Basquetebol Em Foco”, “Show da Tarde”, “Jornal da Manhã”, além do noticiário “Repórter Continental”.

Considerada uma das rádios mais bem equipadas da então Capital Federal, a Continental AM ganhou, em 1956 e 1958, as estações-irmãs Rádio Continental de Campos dos Goytacazes e Rádio Continental de Recife, respectivamente. Em 1959 foi a vez da TV Continental do Rio de Janeiro (Canal 9), que se manteve em operação até 1971, quando mudou seu nome para TV Guanabara – possivelmente uma tentativa de se reinventar para tentar fugir da eminente falência. O encerramento de suas atividades foi sacramentado no início de 1972, quando os transmissores da TV Guanabara foram lacrados e sua parca programação encerrada.

Apesar do histórico de inovação e ousadia, a Rádio Continental AM agonizou ao longo da década de 1970 – a ponto de ter a concessão pública controlada por seus funcionários em 1972, que passaram a administrá-la após cinco meses de salários atrasados. Em abril de 1979, a PRD-8 foi juridicamente incorporada à Rede Capital de Comunicações, assim como outras estações localizadas em Curitiba, Brasília e Porto Alegre, passando a se chamar Rádio Capital-Rio.

Algum tempo depois, sua concessão foi adquirida pela Igreja Deus é Amor, que desenvolveu uma programação voltada apenas para o segmento religioso Pentecostal. Atualmente o nome Continental AM ainda se mantém, todavia com programação gospel e tendo pastores da Igreja Assembleia de Deus como seus principais comunicadores. Do segmento esportivo, apenas as lembranças dos tempos áureos da emissora – que adentraram no silêncio dos vestiários do passado para não mais voltar...

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