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Memórias do Dial: A Rádio Mayrink Veiga AM 1220 KHz
07/04/2020 17:15 em Musica

Emissora carioca fundada em 21 de janeiro de 1926, a Rádio Mayrink Veiga tornou-se, ao longo dos anos, um celeiro de novos talentos, marcadamente durante a chamada Era do Rádio. Até o surgimento da Rádio Nacional, foi líder de audiência no dial carioca, principalmente no período em que teve o radialista César Ladeira como diretor artístico.

Já na década de 1940, a Mayrink Veiga trazia em seu casting Oduvaldo Cozzi, responsável pelo departamento esportivo da emissora, além do ator, diretor e redator de radioteatro Rodolfo Mayer, criador de diferentes atrações, entre elas “Aconteceu Com Você?”, “Jornal Falado”, “Ritmo Alegre”, “Calouros Em Apuros”, “Esportes Pela Sua PRA-9” e “Resenha Esportiva” – grandes sucessos da rádio nessa época.

A Rádio Mayrink Veiga possuía, no início dos anos 1950, uma invejável estrutura operacional que incluía quatro estúdios, auditório, 26 radioatores contratados, uma orquestra composta por 41 músicos e um conjunto regional. Destacaram-se neste período programas como “A Cidade Se Diverte” (produzido por Haroldo Barbosa), “Da Boca Pra Fora” (com produção de Haroldo Barbosa e Sérgio Porto), “Diversões Cibele”, “Marmelândia”, “Aquarela Sertaneja”, “O Mundo é Dos Vivos” e “Me Dá o Meu Boné”, atração humorística apresentada por Chico Anysio. No elenco da emissora, profissionais excelsos como Roberto Luma, Luis Jatobá, Luiz Gonzaga, Elizete Cardoso, Lana Bittencourt e Max Nunes.

Mesmo contando com tantos talentos, a Mayrink Veiga amargava o 8º lugar no ranking do IBOPE em 1950, empatada com a Rádio Mauá (3,5% da audiência média) e bem atrás de outras rádios, como Nacional (34,0%), Tupi (20,0%), Tamoio (10,3%) e Globo (10,0%). Dez anos depois, no início da década de 1960, seu posicionamento neste ranking melhorou, porém sem resvalar de forma consistente nos percentuais de audiência: enquanto a Nacional batia 14,0% e a Rádio Tamoio chegava a 4,5%, a Mayrink Veiga aparecia no IBOPE com 3,1%, empatada em terceiro lugar com a Rádio Tupi.

Mas não seria a audiência o fator principal para o ocaso da Mayrink Veiga em meados dos anos 1960: o posicionamento político da emissora durante a Campanha da Legalidade (liderada por Leonel Brizola que, entre os meses de agosto e setembro de 1961, ocupou periodicamente os microfones da rádio) e os interesses empresariais dos executivos da Rádio Globo (que ainda não possuía a concessão de sua própria frequência na época), foram razões determinantes para selar o destino da emissora. Em 1964, iniciado o Regime Militar, os pronunciamentos políticos desapareceram da rádio que, no ano seguinte, foi fechada pelo presidente Castelo Branco (Mandado de Segurança nº 16.132/65). Após quase 40 anos em atividade, a Rádio Mayrink Veiga não existia mais. Sua frequência (AM 1220 KHz) passou a ser operada pela Rádio Globo, que a utilizou até o encerramento de suas atividades, em 2018. 

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