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Evaldo Braga – O Ídolo Negro, Uma Saudade Do Brasil
02/01/2020 01:26 em Musica

A despeito da opinião alheia, seja ela positiva ou não, em relação à música brega, o talento se impõe e se sustenta acima de qualquer estereótipo – e com Evaldo Braga não poderia diferente. Compositor de mão cheia e dono de uma voz de causar inveja à maioria dos cantores da atualidade, Evaldo “lacrou” em sua época após uma ascensão fulminante ao estrelato, seguida pela consolidação de uma bela e vibrante carreira, ainda que efêmera.

___________Dificuldade e Superação__________

Chamado carinhosamente por Chacrinha como “o negro mais bonito do Brasil”, Evaldo Braga nasceu em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1945. Fruto de um relacionamento extraconjugal de seu pai, foi rejeitado por sua madrasta e, em razão disso, passou os primeiros anos de sua vida nas ruas para, depois, ser internado no antigo SAM (Serviço de Amparo ao Menor, atual Fundação CASA).

No início da vida adulta, após deixar o SAM, Evaldo trabalhou em diferentes empresas, entre elas a Varig e a General Eletric. No entanto, decidiu largar tudo para labutar como engraxate e, através dessa atividade, iniciar seus primeiros contactos com o mundo artístico.

__________A CENTELHA DO SUCESSO__________

No final da década de 1960, Evaldo Braga conheceu o produtor e compositor Osmar Navarro, que viabilizou o lançamento de seu primeiro compacto, “Só Quero”, um sucesso arrebatador que ultrapassou a marca de 150 mil cópias, atingindo o topo das paradas em 1971.

Daí para o primeiro LP foi uma questão de assinaturas: no mesmo ano, o álbum “Evaldo Braga – O Ídolo Negro” chegava às lojas pelo selo Polydor – enquanto sucessos como “A Cruz Que Carrego”, “Eu Não Sou Lixo”, “Por Uma Vez Mais”, “Meu Deus” e “Sorria” gradativamente emplacavam nas rádios e no coração dos fãs, consagrando seu estilo “Soul Music com pegada brega” – algo de grande relevância numa época em que o mercado fonográfico brasileiro esperava de artistas negros somente sambas e outros gêneros similares.

Apesar de todo o sucesso alcançado Evaldo Braga fazia poucos shows, preferindo investir no marketing pessoal através do veículo de comunicação de maior ascensão de sua época: a televisão. Para dimensionar o quanto o cantor levava isso a sério, apenas no ano de 1971, Evaldo Braga fez cerca de 40 aparições no Programa do Chacrinha e outras 30 na atração comandada por Silvio Santos – uma verdadeira maratona!

___________O OCASO DE UMA ESTRELA__________

Porém, isso mudou a partir de 1972, quando o Evaldo Braga passou a subir aos palcos com uma frequência cada vez maior, chegando a uma média de 70 apresentações por mês. Era, na verdade, o início do fim: após realizar dois shows em Belo Horizonte, o cantor, seu empresário, Paulo César Santoro e o motorista Arley Moreira partiram em direção ao Rio de Janeiro, onde Evaldo receberia o Disco de Ouro no Programa do Chacrinha, um reconhecimento pelo sucesso do álbum “Evaldo Braga – O Ídolo Negro (Vol. 2)”, que atingira a marca de 100 mil cópias vendidas.

Após uma parada na cidade fluminense de Três Rios, reembarcaram na Volkswagen TL rumo à capital carioca – viagem bruscamente interrompida menos de uma hora depois, quando o veículo se espatifou numa colisão frontal com uma carreta Scania. Evaldo Braga e Arley Moreira morreram assim que chegaram ao hospital, enquanto Paulo Santoro viria a falecer no dia seguinte.

____________UMA OBRA ATEMPORAL__________

 

O acidente que vitimou Evaldo Braga aconteceu no dia 31 de janeiro de 1973 – mas o Ídolo Negro manter-se-ia vivo nas décadas seguintes a partir do lançamento de diferentes coletâneas como “Evaldo Braga – O Ídolo Negro (Vol.3), em 1973, “Eu Ainda Amo Vocês” (lançado em 1987, com canções remixadas e participações especiais de artistas convidados), “O Melhor do Ídolo Negro” (1993) e “Sempre” (2011). Talvez o próprio Evaldo Braga não imaginasse a força de sua obra que, fosse pela beleza de sua voz ou pela originalidade de seu estilo, foi capaz de subjugar as amarras do tempo. 

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