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Gonzaguinha – O Rei Da Poesia Cantada
21/09/2019 19:27 em Musica

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu no dia 22 de setembro de 1945, na cidade do Rio de Janeiro. Filho do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e da dançarina Odaléia Guedes, ficou órfão de mãe muito cedo (tinha apenas dois anos de idade), sendo então criado por seus padrinhos. Ainda garoto, escolheu o violão como instrumento musical e aprendeu a fazer música com Pafúncio, conhecido membro da ala de compositores da Escola de Samba Unidos de São Carlos.

Gonzaguinha iniciava aquela que seria uma das mais belas carreiras da Música Popular Brasileira. Seus 21 anos de atividade profissional podem ser divididos em duas fases: a primeira, que durou até meados da década de 1970, mostrou um compositor mais agressivo, crítico do Regime Militar vigente, que materializava em suas letras a insatisfação em relação ao Brasil de sua época. Nesse período, chegou a ter 54 músicas censuradas e discos recolhidos nas lojas; e a segunda fase, bem mais serena, na qual predominaram composições românticas idealizadas por um Gonzaguinha mais afável, marcadamente nas suas aparições na televisão.

Gonzaguinha gravou inúmeros sucessos, muitos deles presentes nos 19 álbuns que lançou, verdadeiras pérolas como “Plano de Voo” (1975), “Começaria Tudo Outra Vez” (1976), “Gonzaguinha da Vida” (1979), “De Volta Ao Começo” (1980), “Alô, Alô Brasil” (1983), “Grávido” (1984) e “Corações Marginais” (1988). Preparamos um resumo cronológico dos principais acontecimentos envolvendo a vida e a obra de Gonzaguinha.

                                                    ANOS 60

Após enfrentar problemas familiares ao longo de sua adolescência – entre eles, a rejeição por parte da madrasta e as constantes ausências do pai – Gonzaguinha iniciou a Faculdade de Economia e, paralelamente às atividades acadêmicas, frequentou rodas de violão. Foi num desses encontros que conheceu Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio, Aldir Blanc e Cesar Costa Filho, com os quais fundou o MAU – Movimento Artístico Universitário. Nessa mesma época, Gonzaguinha participou dos Festivais Universitários de Música: com “Pobreza Por Pobreza”, foi finalista da edição de 1968, vencendo o festival no ano seguinte com a canção “Trem”.

                                                    ANOS 70

Gonzaguinha iniciou a década de 1970 fazendo das mazelas que enfrentava a matéria-prima de sua obra. Em 1973, durante uma apresentação no Programa Flávio Cavalcanti, foi hostilizado pelos jurados da atração após cantar “Comportamento Geral”. No dia seguinte, Gonzaguinha recebeu uma advertência do Departamento de Censura – fato que não impediu o sucesso da canção, motivado em parte por sua polêmica apresentação. O vinil compacto de “Comportamento Geral” esgotou-se nas lojas, mas logo sua execução pública foi proibida em todo o território nacional. Este Gonzaguinha, inquieto diante do contexto sociopolítico no qual vivia, persistiria por mais algum tempo.

                                                       ANOS 80

Já na segunda metade da década de 1970, as canções de Gonzaguinha ganharam um tom mais polido e romântico, a partir do lançamento do álbum “Começaria Tudo Outra Vez”. A redução no número de metáforas políticas acompanhada pela profusão de versos com temas mais populares transformaram Gonzaguinha num dos compositores mais conhecidos da década de 1980.

“Explode Coração”, “Grito de Alerta”, “Sangrando”, “Lindo Lago do Amor”, “É”, “Mamão Com Mel” e “O Que é o Que é” foram alguns dos muitos sucessos que se acumularam ao longo da década, alguns dos quais gravados por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa, Zizi Possi, Elis Regina, Joana e Fagner. Fundou seu próprio selo, Moleque, com o qual chegou a lançar dois de seus discos.

                                                           ANOS 90

Gonzaguinha viveu os últimos 12 anos de sua vida ao lado de sua mulher, Louise Margarete e da filha Mariana. Seu último disco com inéditas, “Luizinho de Gonzagão Gonzaga Gonzaguinha”, foi lançado em 1990 pelo selo Moleque/WEA. O compositor morreu num acidente automobilístico no si 29 de abril de 1991, quando regressava de uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, com destino à Foz de Iguaçu. Chegou a ter um álbum póstumo, lançado pela Som Livre em 1993: “Cavaleiro Solitário” trazia 12 músicas ao vivo, oito delas inéditas.

Foi-se o artista, mas fica o seu legado: as obras de Gonzaguinha estão entre as mais belas e admiradas da Música Popular Brasileira, e certamente se perpetuarão entre as futuras gerações.

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