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Leny Eversong - 35 Anos De Saudade
29/06/2019 00:05 em Musica

Quando Hilda Campos Soares da Silva veio a óbito no dia 29 de abril de 1984, vítima de diabetes e de complicações cardíacas e pulmonares, poucos se lembravam dela. Na verdade tratava-se da cantora Leny Eversong, que nos deixava aos 63 anos de idade. A imprensa noticiou, algumas rádios tocaram suas músicas e mesmo assim poucos se lembravam dela, ainda que o nome artístico de Hilda – ou “Hildinha, a Princesa do Fox”, como era chamada no início da carreira – estivesse destacado nas principais publicações do país.

Longe da cena musical e dos palcos desde 1973 – quando seu marido, Francisco Luiz Campos, desapareceu da face da Terra durante uma viagem a Guarujá, litoral de São Paulo – a cantora Leny Eversong entrou em profunda depressão. Mas nem sempre foi assim: durante o auge de sua carreira, ao longo das décadas de 1950 e 1960, Leny Eversong tornou-se uma intérprete reconhecida no Brasil e muito popular na Europa e nos Estados Unidos.

 

                                            ANOS 30

 

Leny Eversong nasceu em Santos no dia 01 de setembro de 1920. Cantava desde sempre e ainda menina participava de concursos e pequenas apresentações. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1936, onde cantou na Rádio Tupi e fez shows no Cassino da Urca e no Copacabana Palace. Retornou para seu estado de origem no ano seguinte, mostrando a potência de sua voz em diferentes emissoras de rádio e casas noturnas, como o Cassino do Guarujá e o Night Club de São Paulo.

 

                                           ANOS 40

Em 1940 lançou seu primeiro LP pela Copacabana Discos, emplacando vários sucessos. No ano de 1948, Leny Eversong realizou uma extensa turnê pela América Latina, apresentando-se como uma cantora oriunda dos Estados Unidos. No Brasil, foi considerada a maior intérprete de música norte-americana na década de 1950, sendo também a primeira brasileira a cantar em Las Vegas por suas qualidades como cantora profissional (Carmen Miranda chegou à cidade do jogo primeiro, mas além de ser portuguesa, notabilizou-se no cinema antes de ir para Las Vegas). Diante das críticas que recebia em seu país por cantar em inglês, Leny Eversong incluiu no repertório obras de compositores brasileiros como Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim e Adoniran Barbosa.

 

                                             ANOS 50

 

Mas as críticas não atingiam a carreira e o talento da cantora, que não parava de emplacar sucessos no exterior, como “El Cumbacheiro”, “Jezebel”, “Granada”, “Tangerine” e “Kalamazoo”. Durante a década de 1950, chegou a fazer 15 shows por semana em cassinos e hotéis de Las Vegas. Sua popularidade nas paragens yankees chegou ao extremo em 06 de janeiro de 1957, quando Leny Eversong se apresentou no The Ed Sullivan Show na mesma noite que... Elvis Presley, com quem a cantora desenvolveu uma boa amizade na ocasião.

 

                                       ANOS 60\70\80

 

De volta ao Brasil na década de 1960, Leny Eversong fez várias aparições em emissoras de TV como Record, Excelsior e Tupi, participando ainda de festivais de Música Popular Brasileira. Pouco antes de afastar-se dos palcos e do público, realizou um show antológico no Canecão, no Rio de Janeiro, em 1970. Leny Eversong apresentou-se pela última vez em 1983, poucos meses antes de morrer, no programa de TV “O Show é o Limite”, comandado pelo icônico J. Silvestre.

 

Há 35 anos Hilda Campos partia. Há 35 anos Leny Eversong nos deixava. Porém, graças à magia da Internet, o maravilhoso legado de Hildinha está aí, disponível a todos que queiram se maravilhar com sua preciosa voz – uma voz forte, de contralto, ampliada em sua potência pelos anos de dedicação ao estudo do canto – uma voz que o Brasil não deveria esquecer. 

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