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CINE RÁDIO: Flash Gordon e os Seriados do Cinema com Buster Crabbe
09/03/2022 21:55 em Novidades

Por Paulo Telles

 

Personagem criado em 1934 pelo cartunista Alex Raymond (1909-1956), FLASH GORDON cativou a imaginação de crianças e adultos ao terem suas aventuras publicadas em quadrinhos nas tiras dominicais dos grandes jornais americanos, e aqui no Brasil não foi diferente. Entretanto, o sucesso do herói chegou ao auge quando finalmente ele saiu das tirinhas para as telas de cinema em 1936, com o seriado Flash Gordon no Planeta Mongo (Flash Gordon), dirigido por Frederick Stephani (1903–1962). O êxito deste primeiro filme do herói, talvez um dos primeiros da Ficção Científica, foi tão retumbante que a Universal, sua produtora, investiu em mais duas fitas em série com o personagem: Flash Gordon no Planeta Marte (Flash Gordon's Trip to Mars, 1938) – dirigido por Ford Beebe (1888–1978) e Robert F. Hill (1886–1966) - e Flash Gordon Conquista o Universo (Flash Gordon Conquers The Universe, 1940), dirigido por Beebe e Ray Taylor (1888-1952), este último considerado o melhor de toda  saga.

Todos os três filmes foram estrelados por Larry “Buster” Crabbe, ou se preferir, Buster Crabbe (1908-1983). Crabbe foi o maior astro dos seriados nos anos de 1930 e 1940, e sua popularidade deveu-se ao desempenho fantástico nos esportes, principalmente quando ganhou Medalha de Ouro na natação, ao conseguir a marca nos 400 metros estilo livre, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1932, em Los Angeles. Foi o segundo astro de Hollywood proveniente da glória dos esportes a fazer carreira no cinema. O primeiro foi Johnny Weissmuller (1904-1984), que se tornou o mais mitológico de todos os intérpretes de Tarzan.  Curiosamente, Crabbe interpretou o Homem Macaco em Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless), realizado em 1933, sob a direção de Robert F. Hill.  Contudo, Crabbe não agradou como o herói criado por Edgar Rice Burroughs, pois as plateias preferiram Weissmuller. Mas nem por isso Crabbe deixou de ser notado pelo público de cinema, pois viria a se tornar um dos Reis dos Seriados. O ator foi Buck Rogers (outro herói da ficção científica), Kaspa, o Homem Leão (uma cópia bem descarada de Tarzan), e Red Barry, personagens que tiveram como Flash Gordon suas origens nos quadrinhos. Mas foi decididamente este personagem que deu mais notoriedade ao ator campeão olímpico.

Para viver o herói de Alex Raymond, Buster precisou tingir seus cabelos de louro para ficar mais parecido com os traços do personagem de acordo com os quadrinhos. Isso criou de certa forma um constrangimento para o ator, que precisava manter seu chapéu em público para evitar algum tipo de gracejo. Vamos conhecer a fundo os três seriados de Flash Gordon vividos pelo ator Buster Crabbe.

 

Os seriados do cinema

 

FLASH GORDON NO PLANETA MONGO

(FLASH GORDON, 1936)

 

Flash Gordon no Planeta Mongo (1936). Direção: Frederick Stephani. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Jean Rogers (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Priscilla Lawson (Princesa Aura), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Richard Alexander (Principe Barin), Jack 'Tiny' Lipson (Rei Vultan), Richard Tucker (Professor Gordon), James Pierce (Principe Thun). Metragem: 245 minutos (13 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal.

O povo da Terra esta sofrendo uma epidemia mortal conhecida por todos como a “Praga da Morte Vermelha”. O jovem universitário de Yale Flash Gordon (Buster Crabbe), juntamente com o Dr.Alexis Zarkov (Frank Shannon, 1874-1959), e sua namorada Dale Arden (Jean Rogers, 1916-1991), partem rumo à estratosfera no velocíssimo foguete do Doutor para pouco depois descobrirem o autor desta epidemia: O Imperador Ming (Charles Middleton, 1874-1949, numa soberba interpretação), um cruel ditador do Planeta Mongo. Seu plano para conquistar o Universo consiste em derramar um pó mortífero sobre a atmosfera da Terra.Assim, o herói parte para Mongo, onde com a ajuda de seus aliados, a Princesa Aura (Priscilla Lawson, 1914-1958), filha do ditador Ming (que não apoia as atrocidades do pai), e do Príncipe Barin (Richard Alexander, 1902-1989), Flash Gordon consegue destruir parte das máquinas diabólicas criadas pelo gênio de Ming, entretanto a luta de Flash não para por aí, se fazendo necessária uma viagem urgente às terras geladas de Frígia, onde é conhecido o único antídoto para a “Praga da Morte Vermelha”.  O Imperador Ming, embora parcialmente derrotado, não se entrega e faz com que suas espaçonaves controladas ataquem Flash Gordon e seus amigos, mas graças a presença de espírito do herói, as fortificações do terrível ditador são aniquiladas e o cruel Ming vê seus planos diabólicos irem por terra. Flash Gordon no Planeta Mongo foi destinado a reconquistar um público adulto para os seriados e foi exibido nos cinemas de alta rotatividade nas grandes cidades dos Estados Unidos. Muitos jornais, inclusive alguns que não se dedicavam aos quadrinhos do personagem, apresentavam histórias de três quartos de página em suas colunas de entretenimento, com desenhos de Alex Raymond e fotos do seriado. Além disso, o seriado foi produzido com total fidelidade aos quadrinhos, preservando a magia do Planeta Mongo e o erotismo bem caracterizado de Raymond, com lindas mulheres de roupas bem insinuantes. Só para esta primeira aventura do herói foram gastos um milhão de dólares, uma fortuna para um seriado de cinema, ainda que de proporções bem épicas.

 

 

FLASH GORDON NO PLANETA MARTE

(FLASH GORDON TRIP TO MARS, 1938)

 

Flash Gordon no Planeta Marte (1938). Direção: Ford Beebe, Robert F. Hill. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Jean Rogers (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Beatrice Roberts (Rainha Azura), Donald Kerr (Happy Hapgood), Richard Alexander (Principe Barin), C. Montague Shaw (Rei Clay), Wheeler Oakman (Tarnak). Metragem: 299 minutos (15 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal. 

Segundo dos três seriados feitos com o personagem. Foram mantidos os atores principais do seriado anterior nos mesmos papeis: Buster Crabbe como Flash Gordon, Jean Rogers como Dale Arden, Frank Shannon como Dr. Alexis Zarkov,  e Charles  Middleton, magnífico como o cruel Ming. Um elemento químico chamado Nitron está desaparecendo da atmosfera terrestre, o que vem causando ciclones tropicais e outros desastres meteorológicos. Dr. Zarkov (Frank Shannon) e Flash (Crabbe) descobrem que um raio de Marte é a fonte do esgotamento de Nitron. Um repórter de jornal, Happy Hapgood (Donald Kerr, 1891-1977), está dentro do foguete da tripulação quando Flash, Zarkov e Dale Arden (Jean Rogers) partem para Marte rumo à investigação.Lá, eles descobrem que Azura (Beatrice Roberts, 1905-1970), Rainha de Marte, está associada à Ming, O Impiedoso (Charles Middleton), para conquistar a terra. Todos os marcianos que se opõem a sua parceria com Ming foram transformados em humanoides de argila, forçados a viver sob a superfície de Marte. Os quatro terráqueos refugiam-se em uma dessas cavernas e juntam-se ao Rei Clay (C. Montague Shaw, 1882-1968) para destruir a lâmpada Nitron que está drenando a atmosfera da Terra. Concordam, também, em ajudar a restaurar o povo de argila para sua forma humana para, juntos, derrotarem Azura e Ming. Flash Gordon no Planeta Marte foi baseado em um Big Little Book de 1936, adaptação dos quadrinhos Flash Gordon and the Witch Queen of Mongo. A ambientação foi mudada para Marte em função do sucesso de The War of the Worlds (a Guerra dos Mundos), obra de H. G. Wells apresentado por Orson Welles em seu programa de rádio, lançado sete meses após o seriado ser levado aos cinemas. Isso fez a Universal lançar às pressas uma versão editada, com 68 minutos, sob o título Mars Attacks the World, para capitalizar a publicidade. O filme foi um sucesso de bilheteria. Flash Gordon's Trip to Mars foi mais cara do que a produção do primeiro seriado.

 

FLASH GORDON CONQUISTA O UNIVERSO

(FLASH GORDON CONQUERS THE UNIVERSE, 1940)

 

Flash Gordon Conquista o Universo (1940). Direção: Ford Beebe, Robert F. Hill. Elenco: Buster Crabbe (Flash Gordon), Carol Hughes (Dale Arden), Charles Middleton (Imperador Ming), Frank Shannon (Dr. Alexis Zarkov), Roland Drew (Principe Barin), Shirley Deane (Princesa Aura), Lee Powell (Roka, Don Rowan (Capitão Torch). Metragem: 220 minutos (12 capítulos). Fotografia: Em Preto & Branco. Produção da Universal.

Foi o terceiro e último dos três seriados feitos com o personagem.  Aqui foram mantidos apenas três dos atores principais dos seriados anteriores:  Buster Crabbe como Flash Gordon, Frank Shannon como o Dr. Alexis Zarkov, e Charles Middleton como Ming, o Impiedoso. Jean Rogers saiu da Universal para assinar contrato com a 20ª Century Fox, e em seu lugar entrou Carol Hughes (1910-1995) para viver Dale Arden. Outras duas mudanças foram: Roland Drew (1900-1988) que substituiu Richard Alexander como Príncipe Barin, e Shirley Deane (1913–1983) como a Princesa Aura, personagem vivida por Priscilla Lawsonno primeiro seriado. Uma epidemia mortal devasta a terra, conhecida como a “Morte Púrpura”, deixando muitas vítimas. Ming, o Impiedoso (Charles Middleton), é suspeito de estar por trás da praga e se descobre que suas naves espaciais têm deixado cair a “Poeira da Morte” na atmosfera da terra. Flash Gordon (Buster Crabbe), juntamente com Dr. Alexis Zarkov (Frank Shannon) e Dale Arden (Carol Hughes), é enviado para o Planeta Mongo, para encontrar uma possível cura para a epidemia.Eles encontram o antídoto, denominado polarite, no Reino de Frigia. Flash e Zarkov distribuem o antídoto através do mesmo caminho onde foi distribuída a Poeira da Morte. Ming envia um exército de robôs-bombas, e consegue capturar Zarkov por um curto período de tempo antes de Flash conseguir libertá-lo. O trio continua a batalha contra Ming e seus aliados. Capitão Torch (Don Rowan, 1905-1966) é o vilão principal deste último de Flash Gordon, sendo ele o responsável por parar os terráqueos. Ming é preso em uma torre, e um foguete carregado com polarite atômica é enviado contra ele. Príncipe Barin toma seu lugar de direito como governante de Mongo. As últimas palavras de Ming são: "I am the universe!" (Eu sou o Universo!). Zarkov anuncia, então, que Flash Gordon conquistou definitivamente o universo.

Paulo Telles é crítico de cinema, escritor, produtor e apresentador do programa Cine Vintage, redator do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema e colunista do Cine Retro Boavista no site CINEMA COM POESIA.

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