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Cine Rádio: William Holden - O “Golden Boy” de Hollywood Partia Há 40 Anos
02/11/2021 13:27 em Novidades

 

Por Paulo Telles

 

Em 16 de novembro de 1981, portanto há 40 anos, os tabloides e os noticiários de rádio e TV anunciaram, com espanto e tristeza a morte de William Holden (1918-1981), um dos astros mais milionários de Hollywood e um ícone do cinema internacional. Ator ganhador do Oscar (Inferno Nº 17/Stalag 17, 1953), além do talento nato da interpretação, Holden foi um dos homens mais charmosos e belos do cinema, galã de inúmeras estrelas (Grace Kelly, Jennifer Jones, Loretta Young, Gloria Swanson, Audrey Hepburn, etc) e intérprete para cineastas renomados (Billy Wilder, Sam Peckinpah, Michael Curtiz, Robert Wise, George Cukor, Rouben Mamoulian, John Ford, etc). Apesar de angariar glórias artísticas em toda sua carreira e de sua prosperidade no ramo dos negócios, seu fim de vida não foi dos mais dignos.

William Holden nasceu William Franklin Beedle Jr em Ofalon, Illinois, Estados Unidos, a 17 de abril de 1918. Filho de um rico químico industrial e de uma professora de ensino médio, sua família mudou-se para a Califórnia quando Holden tinha três anos. O pai, um entusiasta da aptidão física, ensinou ao filho boxe e ginástica olímpica.  Adolescente, o jovem William trabalhava no laboratório do pai durante as férias escolares. Nesta fase da vida, ele cantava e tocava clarineta, cantou em coro de igreja, e estudou arte dramática no Teatro de Pasadena.  Ainda no período escolar, o futuro astro de Hollywood se revelou também um craque nos esportes, como o futebol e o beisebol.

Em 1937, com 20 anos incompletos, Holden estudava química na Universidade de Pasadena. Foi nesse período que passou a atuar no teatro para pagar seus estudos. Durante uma peça em que participou, sua atuação chamou a atenção de um agente cinematográfico, que o convidou para fazer um teste em Hollywood. O juvenil ator aceitou se submeter ao teste e foi aprovado, resultando num contrato com a Paramount e mudando seu nome artístico para William Holden. Sua aparência de bom rapaz, porte de 1m81cm, olhos azuis, e sua inconfundível voz de barítono elevaram-no rapidamente ao estrelato.

Em 1939, a Columbia Pictures adquiriu os direitos cinematográficos da peça Golden Boy, de Clifford Odets (1906-1963), que foi estrondoso sucesso na Broadway. Barbara Stanwyck (1907-1990) e Adolphe Menjou (1890-1963) já estavam escolhidos para os papéis principais, mas faltava escolher o intérprete de Joe Bonaparte, o Golden Boy do título. Harry Cohn (1891-1958), chefão da Columbia, queria John Garfield para o papel, mas este não podia fazê-lo por estar preso a contrato com a Warner. O cineasta Rouben Mamoulian(1897-1987) que vinha observando o desenvolvimento do jovem Holden pediu a Cohn que fizesse um teste com ele. Cohn cedeu a contragosto. Inexperiente, Holden acabou dando um enorme trabalho para Mamoulian, que de forma alguma poderia permitir o fracasso do então iniciante astro, senão ficaria mal com Cohn. Para isso, o aspirante astro começoutrabalhar 17 horas por dia, estudando e dedicando-se ao violino, e treinando boxe para adquirir o necessário realismo em sua atuação no ringue. Muito agitado, ligava meia dúzia de vezes por dia a mãe em Pasadena. Entretanto, a experiente colega Barbara Stanwyck estendeu-lhe a mão amiga em sinal de socorro, apoiando-o por todos os meios e modos, trabalhando com ele por longas horas, à noite, conforme tempos depois o diretor Mamoulian recordaria com admiração.

O progresso de Bill Holden foi surpreendente. Ainda segundo o cineasta Mamoulian, Babs (apelido de Barbara Stanwyck) não deixava que as tomadas de cenas fossem reveladas, mesmo se ela estivesse bem, se a atuação de Holden não fosse a melhor que se pudesse conseguir dele. Barbara foi fada madrinha do jovem e novato William Holden, que nunca se esqueceu de sua solidariedade para com ele e desprendimento. E Conflito de Duas Almas (Golden Boy, 1939), de Rouben Mamoulian conquistou o público e a crítica, e William Holden passou a ser um astro popular no cinema, sobretudo para o público feminino. Até sua morte em 1981, Holden enviava para Barbara rosas vermelhas em cada aniversário de inicio das filmagens Golden Boy. Para ele, Barbara era a The Queen (a Rainha), e para ela, ele era o seu Golden Boy.

O auge da carreira cinematográfica de Holden se intensificou na década de 1950. O cineasta Billy Wilder (1906-2002) junto com o colaborador Charles Brackett (1892-1969) estava prestes a iniciar os trabalhos para aquele que seria um dos mais absolutos clássicos de todos os tempos, Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950). Drama sobre Hollywood e a decadência de seus ídolos, realizado com exasperada morbidez e patética contundência de tragédia pelo mesmo diretor de Farrapo Humano. O papel principal de Norma Desmond, uma atriz da era do cinema mudo que vive seus dias presa ao saudosismo de sua glória foi oferecido a inúmeras atrizes veteranas, entre elas Mary Pickford e Mae West. Por fim, Gloria Swanson (1899-1983) aceitou a parte, o que a fez retornar as telas após nove anos de ausência.  Mas para a parte de Joe Gillis, um jovem e frustrado roteirista que acaba se tornando amante e gigolô de Norma, a Paramount recomendou William Holden, pois segundo o estúdio, poderia ser capaz de dar vida à Gillis. Ao receber o roteiro, Holden tratou de aperfeiçoar ao máximo o personagem, e o resultado surpreendeu o diretor Wilder, que adorou sua atuação.  Com Crepúsculo dos Deuses, William Holden recebeu sua primeira indicação a um prêmio da Academia. Mas na noite do Oscar de 29 de março de 1951, o premiado como Melhor Ator do ano foi Jose Ferrer por Cyrano de Bergerac (1950). Mesmo não sendo agraciado com o Oscar naquele momento, a carreira de Holden favorecia, e ele recebia cada vez mais propostas e bons roteiros, que eram atrativos convites ao trabalho.

Billy Wilder resolveu convocar o ator para um novo trabalho, desta vez um filme sobre prisioneiros de guerra intitulado Inferno 17 (Stalag 17, 1953). Holden, como J.J Sefton, deu ampla vida ao personagem, um sargento oportunista que, num campo de concentração faz de tudo para obter vantagens ou ganhar dinheiro, desde organizar corrida de ratos e construir uma destilaria, até alugar um telescópio para os outros prisioneiros espiarem os alojamentos das prisioneiras russas. Por suas ligações com os alemães, ele se torna o principal suspeito de ser um espião dentro do campo, pronto a atrapalhar um plano de fuga dos companheiros.

Na noite da entrega de prêmios da Academia a 25 de março de 1954, Holden competia com Burt Lancaster (A Um Passo da Eternidade), Marlon Brando (Júlio César) e Richard Burton (O Manto Sagrado) para o prêmio de Melhor Ator do Ano. Bill foi o vencedor da noite. Vale destacar que Holden sentiu que não merecia o Oscar por Inferno 17, e que o prêmio deveria ter ido para Burt Lancaster por A Um Passo da Eternidade.

Outro reencontro entre Billy Wilder e William Holden se deu em 1954, na produção Sabrina (Sabrina, 1954), uma comédia romântica com toques dramáticos, cujo papel principal seria desempenhado por Cary Grant, mas na última hora foi substituído por Humphrey Bogart (1899-1957). Holden era desta vez o terceiro nome nos créditos, ofuscado por Bogart e Audrey Hepburn (1929-1993), que fazia aqui seu segundo filme consecutivo com o cabelo cortado que seria o símbolo de sua maturidade. Entretanto, o tempo fechou durante as filmagens. Isto porque Bogart não admitia ter Audrey como sua parceira na trama, cuja parte da personagem Sabrina Fairchild estava reservada para a mulher do astro, Lauren Bacall. William Holden acabou se apaixonando por Audrey na vida real. A atriz correspondeu à paixão de Holden, e não demorou em ambos serem vítimas dos ataques de Bogart. Humphrey acusava-os de conspiração contra ele, já que mesmo tendo seu nome acima dos dois nos letreiros, seu salário era inferior. Bogart ganhou US $ 300.000 dólares. Holden recebeu US $ 1.500.000. Audrey ganhou US $ 500.000. Uma noite, Bogart falou abertamente que Audrey não tinha o menor talento e que jamais deveria interpretar. Não suportando ouvir as críticas à mulher amada, Holden pulou em cima de Bogart e o sufocou, quase o matando. Precisou então de Billy Wilder e alguns seguranças da Paramount  separar os dois atores em contenda. Mais tarde, Bogart pediu desculpas ao diretor Billy Wilder por seu comportamento no set de Sabrina, citando problemas em sua vida pessoal. Holden jamais o perdoou e em suas citações, disse sempre ter odiado Humphrey Bogart. Quanto a Hepburn, seu romance com Holden chegou ao fim. William queria se divorciar da atriz Brenda Marshall (com quem era casado desde 1941) para casar com Audrey, mas o ator havia feito vasectomia e ela queria filhos. Com o rompimento e ainda muito apaixonado por Audrey (que se casaria com o ator Mel Ferrer), Holden passou a beber, vício que se estenderia até o final de sua vida.

Tentando superar o fim do relacionamento com Audrey Hepburn, Holden se envolveu com a jovem e ainda iniciante no cinema Grace Kelly (1929-1982), que fizera alguns trabalhos na TV, cuja estreia cinematográfica deu-se em 1952 com o clássico Matar ou Morrer (High Noon), de Fred Zinnemann, com Gary Cooper. O próximo projeto de Holden também envolveria a atriz em 1954, Amar é Sofrer (The Country Girl, 1954), de George Seaton (1911-1979) trazendo novamente Bill como terceiro nome nos créditos, ao interpretar Bernie Dodd, o amigo de Frank Elgin, vivido por Bing Crosby (1904-1977), ator decadente que não consegue papéis devido ao vício do álcool. Apoiado por Bernie e sua esposa Georgie (Grace Kelly), Frank tenta dar a volta por cima. Amar é Sofrer deu o Oscar de Melhor Atriz para Grace em 1954, em um papel antes cogitado para Jennifer Jones. Com Grace, Holden também estrelaria no mesmo ano de 1954 As Pontes de Toko-Ri (The Bridges at Toko-Ri, 1954), um drama romântico de guerra dirigido pelo magistral Mark Robson (1913-1978) que reuniu Fredric March (1899-1975) e Mickey Rooney (1920-2014). Como ocorrera com Audrey Hepburn, o romance com Grace também não floresceu, visto que ela mesma tivera casos com outros astros (de preferência mais maduros), como Clark Gable, David Niven, e Bing Crosby.

Holden foi protagonista de um dos maiores clássicos do cinema romântico da década de 1950, Suplício de Uma Saudade (Love Is A Many Splendored Thing, 1955), de Henry King (1886-1982) levou plateias às lágrimas, ao contar uma história baseada em fato verídico ocorrido durante a Guerra da Coréia (1950) com um jornalista americano (vivido por Holden) e seu romance passageiro com uma médica de Hong Kong (Jennifer Jones, 1919-2009), mas ele acaba morto enquanto cobria o conflito. Suplício de uma Saudade venceu o Oscar por Melhor Figurino Colorido, e Canção Original, Love Is a Many-Splendored Thing, composta por Sammy Fain e Paul Francis Webster. Nos bastidores, a relação dos atores principais não foi das mais cordiais. Nesta altura, o Golden Boy de Hollywood se tornara um mulherengo compulsivo, e Jennifer Jones era casada com o magnata David O. Selznick (1902-1965). Várias vezes ela reclamou de Holden para o diretor Henry King, ameaçando o ator aos berros a contar tudo para o marido. Nas filmagens, Jennifer supostamente mastigava dentes de alho antes das cenas de amor para deter maior aproximação de Holden. Um dia, o ator tentou fazer as pazes com ela, oferecendo um buquê de rosas brancas ao visita-la em seu camarim, mas ela jogou de volta em seu rosto.

Um dos pontos marcantes na carreira de William Holden foi Férias de Amor (Picnic, 1955), baseado em peça de William Inge (1913-1973). Holden precisou raspar o peito para parecer bem menos do que seus verdadeiros 37 anos de idade.O ponto clímax de Férias de Amor foi a sensual dança entre Kim Novak (na flor de seus 22 anos) e o astro. O ator inicialmente não queria fazer a cena da dança e esperou até mesmo o estúdio cortar a sequencia, chegando a confidenciar para o colega Cliff Robertson que não sabia dançar.

Em 1957, Holden estrelou uma superprodução considerada a maior de toda sua carreira, A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957), dirigido pelo cineasta inglês David Lean (1908-1991). Baseado no romance homônimo de Pierre Boulle (1912-1994), o mesmo autor de Planeta dos Macacos, e com script do competente Carl Foreman (1914-1994), o espetáculo é uma rara combinação de filme de aventura e de boa qualidade artística em suas duas horas e 41 minutos de projeção, com suspense, coragem, e demonstração da inutilidade e loucura da guerra. A Ponte do Rio Kwai ganhou sete Oscars, inclusive por Melhor Filme de 1957, e fez de William Holden um homem rico (ele aceitou como pagamento uma percentagem dos lucros).

Já no início da década de 1960, Holden filmou Tentação Diabólica (Satan Never Sleeps, 1962) de Leo McCarey (1896-1969), sobre um padre americano que chega a uma missão na China acompanhado por uma jovem nativa que se juntou a ele ao longo do caminho – e O Falso Traidor (The Counterfeit Traitor, 1962) de George Seaton, uma espionagem de guerra com Holden no papel de um empresário do ramo do petróleo quer é contatado pela inteligência britânica para espionar seus clientes nazistas. Ainda em 1962, filmou com a estrela Capucine (1928-1990) e Trevor Howard (1914-1988) O Leão (The Lion, 1962) de Jack Cardiff (1914-2009), uma aventura sobre a selva.

Em 1969, o “Poeta da Violência” Sam Peckinpah (1925-1984) apresentou para as plateias do mundo seu surpreendente espetáculo Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, 1969), considerado por muitos sua obra máxima no cinema, que revitalizou o Western americano, até então superado pelas produções europeias do gênero. Holden gostou do script e aceitou fazer Pike Bishop, um chefe de bando de facínoras destinados a um último golpe.  Meu Ódio Será Sua Herança reuniu grandes nomes além de Holden - Ernest Borgnine (1917-2012), Robert Ryan (1909-1973), Edmond O’ Brien (1915-1985), Warren Oates (1928-1982) e Ben Johnson (1918-1996). O astro e Peckinpah se deram muito bem durante as filmagens, tanto pelo lado profissional quanto pelo entretenimento com a bebida, colocando o astro e seu diretor como bons amigos de copo, o que não impediu o sucesso de uma das obras mais revisionistas do faroeste americano, tornando-se um verdadeiro divisor de águas em seu gênero clássico. A Warner convocou uma comitiva de imprensa para o lançamento do filme nos Bahamas. Mais de 400 jornalistas tiveram presentes e assistiram a sua pré-estreia. Opiniões foram divididas. A extrema violência para os padrões da época redundou em protestos da crítica, que achou o filme niilista e depravado. Uma jornalista do conceituado Reader’s Digest perguntou a Sam Peckinpah por que fizeram um filme tão violento. O diretor e William Holden, ambos de ressaca e com óculos escuros, se entreolharam e inclinaram suas cabeças como se quisessem fugir da situação.

A partir da década de 1970, Holden se envolveu com causas socais, como a preservação do meio ambiente e dos animais. Encontrou-se na Somália, por ocasião da tomada de poder pelo Conselho dos 17 Revolucionários. E Estava no Quênia durante o Mau Mau. Foi contra a caça de animais na África, participando de uma guerra contra a caça ilegal.  Em 1973, o ator e cineasta Clint Eastwood dirigiu Holden na história romântica Interlúdio de Amor (Breezy, 1973), sobre uma adolescente hippie (Kay Lenz), que precisa fugir de um motorista após pegar uma carona. Ela acaba se escondendo em uma casa isolada, onde vive um homem de meia-idade e divorciado (William Holden), por quem a moça se apaixona. Sobre Clint Eastwood, Holden declarou:

- Ele é imparcial, um traço de personalidade que não é evidente entre os diretores. Toda a tripulação de atores esta sempre atrás dele para sanar dúvidas, e isso realmente ajuda as coisas a correrem bem.

Por sua vez, Clint gostou de dirigir o veterano astro.

Em 1974, William Holden participou do que é considerado um Show de pirotecnia com cintilantes constelações de astros e estrelas que o cinema nunca imaginou antes reunidas, Inferno na Torre (The Towering Inferno, 1974), que surgiu em 1974, sob a onda e apogeu do então chamado Cinema Catástrofe, desencadeado dois anos antes com O Destino do Poseidon, e pelo mesmo produtor, Irwin Allen (1916-1991). Holden no papel do dono do arranha-céu considerado o mais seguro do mundo contra incêndios, cuja preocupação maior é mais em promover sua inauguração do que tirar todos os ilustres convidados (entre os quais políticos e empresários) do salão de festas onde um eminente incêndio esta prestes acontecer. Com Holden, compõem Paul Newman (1925-2008), Steve McQueen (1930-1980), Fred Astaire (1899-1987), Robert Wagner, Faye Dunaway, Jennifer Jones – entre outros - a integrar um elenco todo estrelar para uma superprodução que fez história.

William Holden esteve entre os dez principais atores de Hollywood como Campeão de Bilheteria, seis vezes classificado pela pesquisa anual de exibidores da Quigley Publications, The Top Ten Money-Making Stars, lista definitiva que classifica os dez astros mais populares na vendagem de ingressos em todo mundo. Holden chegou ao topo em 1956, dois anos depois de entrar no 7º lugar em 1954, ano em que ganhou o Oscar de Melhor Ator por seu desempenho emInferno 17. Em 1955, ele ficou em 4º lugar, depois em 1º lugar em 1956, e então caiu para o 7º lugar em 1957, antes de se recuperar ligeiramente para o 6º lugar em 1958. Depois de cinco anos seguidos entre os dez maiores astros campeões das telas, ele saiu da lista em 1959 e 1960, mas reapareceu em 1961, classificado em oitavo lugar, sendo esta a última vez que se destacou entre os Top-Ten.

Embora oficialmente casado com Brenda Marshall (1915-1992) por mais de trinta anos (e com quem teve quatro filhos), Holden viveu separado. O divórcio só veio em 1970, período que Holden veio a conhecer a atriz Stefanie Powers, 24 anos mais jovem, divorciada do ator Gary Lockwood. Stef viajou com Bill Holden para Nova Guiné e conseguiram 500 peças de arte nativa. Em 1981, Holden se despediu das telas na fraca comédia S.O. B - Nos Bastidores de Hollywood (S.O.B, 1981), um dos raros fracassos comerciais do diretor Blake Edwards (1922-2010), que mesmo reunindo um time de estrelas (Julie Andrews, Larry Hagman, Robert Preston, Marisa Berenson, Robert Vaughn, Rosanna Arquette, Shelley Winters) não foi suficiente para ajudar na contabilidade das bilheterias.

Apesar de toda a trajetória de sucessos e dos ótimos empreendimentos, as bebedeiras de Holden se tornaram homéricas em Hollywood, e por causa delas, sua aparência começou a alarmar seus amigos mais próximos e até mesmo os fãs, aparentando um homem de mais idade. O galã que arrancava suspiros das moças das décadas de 1940 e 1950, outrora forte e viril, agora era um homem abatido, cansado, sem energia. Sua relação com Stefanie Powers também foi prejudicada pelo álcool. A atriz pôs fim ao relacionamento.  Solitário em sua mansão em Palm Springs, Holden sentia que a residência era grande demais para ele, e resolveu mudar-se para um apartamento modesto em Santa Mônica, Califórnia, passando os dias em bebedeira descontrolada. Apenas uma semana depois de se mudar para o apartamento, a 12 de novembro de 1981, Holden foi caminhar da sala para a cozinha. Embriagado, desequilibrou-se e bateu com a cabeça de forma violenta numa grande e dura mesa de mármore da sala de jantar.  O ator sofreu grave ferimento na cabeça. Ao perder muito sangue, acabou morrendo. Seu corpo foi encontrado três dias depois, já em adiantado estado de decomposição.

A autópsia revelou que a morte de William Holden foi devida a consequência da queda, com ferimento profundo na fronte, e em seu organismo continha dose de álcool equivalente a oito ou doze doses. Segundo o legista, o ator ainda tentou estancar a hemorragia sem noção da gravidade do ferimento, perdendo a consciência dez minutos depois após o acidente, vindo a óbito esvaindo-se de sangue cerca de meia hora depois. Ainda foram encontradas manchas de sangue na cama de Holden, junto com oito ou dez lenços de papel ensanguentados, o que significa que ao tentar estancar o sangue, Holden caiu da cama e morreu, pois seu corpo foi encontrado no chão. Ele tinha somente 63 anos de idade.

O corpo de William Holden foi cremado, e suas cinzas espalhadas pelo Oceano Pacífico. Em 29 de março de 1982, quatro meses após a morte do ator, a atriz Barbara Stanwyck recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra, nas mãos de John Travolta. Durante o discurso, ela se lembrou do querido amigo e dedicou o prêmio a ele:

- Só lamento por Bill (William Holden) não estar aqui esta noite para me ver segurando esta estatueta. Ele sempre me disse que gostaria de me ver ganhando um Oscar um dia. – E estendendo para o alto o seu braço com o prêmio honorário na mão, Barbara prosseguiu: - Aqui está meu querido Bill. Esta noite ganhei um Oscar, e lhe dedico a você, meu “Golden Boy”.

Paulo Telles é crítico de cinema, escritor, produtor e apresentador do programa Cine Vintage, redator e editor do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema:

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/

 

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