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Cine Rádio: SHAZAM! - Revisitando o seriado As Aventuras do Capitão Marvel (1941)
12/07/2021 13:50 em Novidades

Por Paulo Telles

Há cerca de duas semanas, a Rede Globo exibiu na sessão Tela Quente o filme SHAZAM (Shazam, 2019) do diretor David F. Sandberg, estrelado por Zachary Levi e Asher Angel nos papéis centrais. Como um produto da nova franquia DC Comics e Warner, talvez poucos saibam que este ícone das histórias em quadrinhos (criado em 1939) já havia sugerido uma série de TV em três temporadas (1974 a 1976) e uma série de desenhos animados em 1978 (ambas produzidas pela Filmation), além de um seriado para o cinema com 12 capítulos feitos pela Republic Pictures em 1941: As Aventuras do Capitão Marvel (Adventures of Captain Marvel, 1941).

O super-herói foi criado por Bill Parker (1911-1963) e pelo desenhista C. C. Beck (1910-1989), que esboçou os traços físicos do personagem com base no astro de cinema Fred MacMurray (1908-1991). O Capitão Marvel (ou Shazam, como o leitor preferir) teve altos e baixos durante toda sua trajetória no mundo dos quadrinhos. Originalmente, Parker queria criar seis heróis juntos que formavam a palavra Shazam, juntando a primeira letra de seus respectivos nomes. Entretanto, o editor-chefe não concordou em acomodar tantos personagens numa só história e Parker veio com uma nova sugestão: criar um herói que pudesse pronunciar a palavra mágica, tendo ele as devidas qualidades e poderes de seis entidades que formam as iniciais Shazam – cinco deuses da Mitologia Grega e um rei da Bíblia Sagrada. Assim, o menino Billy Batson, álter ego do Capitão Marvel, recebia deste a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles, e a velocidade de Mercúrio.

Mas o seriado de cinema de 1941 tinha pouco a ver com as histórias publicadas pelos gibis. Em vez de deparar um herói que mesmo em sua moralidade e força pudesse demonstrar atitudes infantis e até meigas para salvar a humanidade (como as que retratadas pelos quadrinhos contra seu figadal inimigo, o Dr. Silvana), se via um Capitão Marvel marcial, sério e implacável contra os malfeitores, não hesitando nem mesmo em mata-los. Dirigido por John English (1903-1969) e William Witney (1915–2002), dois peritos em seriados, o super-herói foi interpretado pelo hercúleo Tom Tyler (1903-1954), popular astro-cowboy de faroestes de baixo orçamento entre os anos de 1930/40. Em 1943, Tyler ainda atuou na pele de outro herói dos gibis, o Fantasma, num seriado de 15 capítulos para a Columbia.  Já Billy Batson foi vivido por Frank Coghlan Jr. (1916–2009), ator mirim que havia sido contratado por Cecil B. DeMille, chegando mesmo a integrar no elenco do “Maior Filme de Todos” - E O Vento Levou (Gone With The Wind, de Victor Fleming, 1939).

A trama versava sobre o jovem repórter Billy Batson cobrindo uma reportagem sobre uma expedição científica ao Sião, próximo a Jerusalém. Chegando a uma caverna, encontra com o espírito de um mago, que lhe concede poderes sobre-humanos desde que pronuncie a palavra Shazam, e Batson se transforma no Capitão Marvel. O mago, que se intitula como Shazam, alerta a Billy que seus poderes só durarão enquanto o Escorpião de Ouro, uma relíquia sagrada do Sião, for cobiçado por um vilão temível. Voltando aos Estados Unidos, Batson, como o Capitão Marvel, descobre o Escorpião, uma figura maligna e misteriosa que se oculta por trás de um capuz. O Escorpião deseja se apossar da sagrada relíquia para acumular cinco lentes com a intenção de construir uma arma letal e assim poder dominar o mundo.

Tão logo o seriado foi lançado nos cinemas (no Brasil, recebeu o título de O Homem de Aço), o herói se viu em batalhas judiciais. O Capitão Marvel foi comparado ao Super-Homem pelos proprietários da National Comics (futura DC Comics), acabando por ser acionado nos tribunais. Após perder processo em 1953, Capitão Marvel deixou de existir, e seus criadores condenados a pagar uma multa de US$ 400 mil para a National Comics. Só a partir dos anos de 1970, a DC Comics permitiu as publicações do Capitão Marvel, mas o título das revistas deveria ser mudado para Shazam, já que o nome anterior pertencia à outra empresa. Em 1991, a DC Comics comprou definitivamente os direitos do Capitão Marvel, intitulando-o de vez como SHAZAM. Para os padrões da época, As Aventuras do Capitão Marvel teve uma produção caprichada e primorosa, com atraente fotografia em preto & branco (por William Nobles, 1892-1968), e efeitos especiais bem cuidados (e econômicos), recebendo por isto a reputação de ser um dos melhores exemplares do universo dos seriados.

Tom Tyler viria ser acometido de artrite reumatoide, prejudicando sua carreira e limitando suas interpretações, vindo a falecer em 1954 aos 50 anos de idade. No cinema, talvez seu maior mérito fosse ter vivido o vilão a duelar com John Wayne no final de No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939) de John Ford. Frank Coghlan Jr. veio a fazer outros trabalhos tanto para o cinema quanto para a TV (chegou a participar em 1974 de um episódio para a série da Filmation), atuando também em comerciais televisivos e participando de convenções sobre seriados, vindo a falecer em 2009 aos 93 anos. O seriado clássico de 1941 está disponível em DVD no Brasil, em lojas ou sites do ramo.

Paulo Telles é produtor e apresentador do programa Cine Vintage, redator e editor do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema:

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/

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